Publicado por: Tati | 23 abril, 2015

“Conversem com eles”

Fazemos parte do Projeto Sopão já faz uns três anos. No começo apareciamos esporadicamente, mas nos últimos dois anos (mais ou menos) passamos a participar efetivamente. Logo nas primeiras sextas pudemos conversar com vários carrinheiros, conhecendo o dia-a-dia deles, suas lutas, que, diga-se de passagem, muitas vezes são um “tapa” na nossa cara. Como temos a capacidade de reclamar tanto?

Uma das coisas que temos aprendido a praticar lá no sopão é o “sair da zona de conforto”. Se você não for atrás para conversar, criar laços com os que vão lá, isso pode acabar sendo uma atividade social da igreja. Claro que tem seu valor, afinal, você está ajudando o próximo de alguma forma, mas você acaba perdendo a oportunidade de fazer uma real diferença na vida de alguém. Não digo que em toda conversa você vai conseguir ter um vínculo e poder aconselhar ou algo do tipo, mas a partir do momento que você cria um laço, você tem a oportunidade de se aproximar e demonstrar que se interessa por eles. Lembro inclusive da orientação que recebemos em nosso primeiro dia: “Conversem com eles, e sempre que puderem, perguntem se eles têm algum pedido de oração e orem por eles”.

Eu e minha esposa trabalhamos especificamente com as crianças, basicamente brincando com elas. E isso também exige uma ação nossa. Dificilmente elas virão até nós (pelo menos no começo) para pedir para brincar. Nós temos que ir até elas. Jesus ia até as pessoas. É "dar a cara para bater". E conforme vamos conversando com elas, vamos tendo oportunidades de mostrar Jesus.

Uma vez estava conversando com uma criança sobre tudo: férias, escola, amiguinhos, irmãos…e aí chegou no assunto de “medos”. O engraçado é que no começo ela disse que não tinha medo de nada, mas quando falei que eu mesmo tinha medo de muita coisa, ela acabou admitindo que também tinha e ao final concluiu: “Então quando temos medo é só falar com Jesus, né?!” e assim foi…

Nessa mesma conversa perguntei o que ela havia comido naquele dia e ela demorou pra falar. Ao final disse que comeu algo de manhã, aí no almoço a mãe dela não tinha feito nada e então estava comendo lá (ela tem uns 5 anos) e o mais interessante é que toda vez que ela vai lá ela pede para levar comida para a casa.

Enfim, poder participar do Sopão é uma grande honra, pois assim podemos efetivamente ser os braços e pernas de Deus para com aqueles que necessitam. Ver a alegria e o abraço das crianças cada vez que vamos lá, é realmente um privilégio.

Voluntário | Equipe Sopão

‪#‎sextatemsopao‬ ‪#‎sopaocuritiba‬

Publicado por: Tati | 4 fevereiro, 2015

Depoimento II

Era uma vez uma criança de riso frouxo e cabelos cor de ouro que adorava brincar, pular e correr. Eu a conheci logo em uma das primeiras vezes que estive no Projeto Sopão, e posso garantir que ela era (e continua sendo) encantadora.

Depois de algumas semanas rolando na grama, dando gargalhada, pulando corda e ouvindo histórias (sim, ela é quem conta histórias incríveis e cheia de detalhes mirabolantes… ainda bem, porque não levo o menor jeito para isso!!) , surge o diálogo:

Criança: Jaquis (ela me chama assim, no plural mesmo!), tenho uma pergunta “Intrigante” (sim, esse é o seu vocabulário, e na época ela tinha apenas 5 anos!)

Eu, desconfiada e com as sobrancelhas levantadas: Diga…

Criança: Você sabe brincar de pega-pega, pula corda, ouve histórias, faz cócegas, corre e tudo mais… Mas olha o seu tamanho!! (usou uma das mãos para comparar o meu tamanho com o dela, esticando o braço em direção ao céu, tentando alcançar minha cabeça…. e depois usou as duas para comparar o tamanho das pernas…)

Eu, esboçando um sorriso: Hum… E qual é a sua pergunta?

Criança: Afinal de contas, você é criança, adolescente ou é mãe? (indagou confusa, cruzando os braços… como quem pede uma explicação lógica dos fatos)

Eu, sem titubear: Sou criança, oras bolas. Que pergunta!

Criança: Mas… você não usa uniforme! E olha o teu tamanho….

Eu: Mas eu também vou pra escola (faculdade), só que lá eu não preciso de uniforme.

Criança: Hum… (considera duvidosamente) Mas… você conversa com os adultos!!! (suspiro e pausa …) Você tem filhos?

Eu: Não.

Criança: É, então você não é mãe. Mas olha o teu tamanho (outra vez mede minhas pernas..).

Eu: Bom, talvez eu já seja quase adolescente então. Mas o que importa é o que a gente é por dentro, e não por fora.

Criança: Ah, pode ser … (seu rosto se iluminou e ela sorriu satisfeita) Mas então vamos brincar? Tá com você!! (tocou o meu braço e saiu correndo…)

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Às vezes me perguntam por que vou ao Sopão. Mas eu mesma me pergunto: por que não ir? Talvez eu possa explicar como tudo começou (fica para a próxima), o que me motivou a ir até lá e conhecer o projeto. Mas hoje, depois de quase cinco anos, posso dizer que vou simplesmente porque amo aquelas pessoas. Elas são parte da minha vida, e espero também ser parte da vida delas. Talvez elas não conheçam o meu dia a dia de perto, mas através delas Deus tem me aperfeiçoado. Relacionando-me com elas descubro a cada dia um pouco mais sobre minha identidade, sobre o universo em que essas crianças vivem, e sobre o dom de amar. Eu vou ao Sopão porque quero estar lá. Sendo quem eu sou ao lado daquelas pessoas. Sendo eu mesma, e também um pouquinho criança, adolescente ou mãe.

#sextatemsopao #sopaocuritiba #historiasqueinspiram
Publicado por: Tati | 19 janeiro, 2015

Crônicas Sopão I

Eu? Eu durmo de dia sim. Você também dormiria se fosse eu.

Dormir de noite é luxo pra quem pode.

Ouvi dizer que tem gente que assusta crianças dizendo que durante a noite aparecem monstros. Talvez a pessoa que contou essa história tenha andado pelas ruas como nós. Enfrentamos vários deles.

Tem amigo que se arrisca a dormir, mas garante que faz isso na base do revezamento. Um olho aberto, outro fechado. Ou enquanto um dorme, o outro vigia.

Já eu, prefiro dormir de dia. Mas não perco muito tempo com isso não. É só o tempo de recarregar a “bateria”. Logo levanto e começo a trabalhar.

As pessoas até passam por mim, mas ninguém se incomoda não. Acho que a maioria nem me vê. É como se de dia fossemos invisíveis e a noite… visíveis só para os monstros.

Não, não é fantasia. To falando sério! É gente que não tem o que fazer e sai por aí procurando alguém pra incomodar. Alguns dizem que nós é que incomodamos e por isso eles agem. Estão “limpando” a cidade. Mas eu não saio por aí colocando fogo em quem me incomoda. E como assim limpando? Não somos lixo não.

Tem o problema do tempo também. Quando faz frio, não tem como dormir a noite. Ficar parado é o mesmo que pedir pra morrer. Já vi amigo morrer por causa disso. De dia, é mais quente.

Tem outros que dizem que nós deveríamos arranjar o que fazer… mal sabem eles que muitas vezes a gente faz mais do que eles. Eu trabalho de verdade. Guardo carro, limpo terreno, cato latinha. O que me der pra fazer, eu faço. Não dá pra ficar rico, mas da pra viver honestamente. Não consigo muita coisa além disso porque não estudei. Eu deveria ter feito isso, eu sei, mas deixei passar a oportunidade. Não sabia o valor que tinha.

Vou te dizer uma coisa… ainda vou ter uma casa e uma família só minha. Falo isso e o pessoal ri de mim. Diz que é sonho e que sonho é só pra rico. Mas algo me diz que não é não.

Aprendi, não tem muito tempo, que tem Alguém que se importa comigo e que quer que eu sonhe. Me contaram, que Ele me amou e ama há bastante tempo. Disseram que Ele se importa. E vou te dizer, só de saber que alguém me vê e se importa já me deixa feliz.

Falo pros amigos e eles dizem que é mentira. Que se alguém se importasse, não estaríamos na rua. Mas como eu vou culpar Ele se quem escolheu sair de casa fui eu. Nem me importava com Ele até dia desses e agora vou jogar a culpa nele? Não… eu não.

O primeiro sonho é aprender a ler. Quero descobrir o que diz no livro que ganhei. A moça me disse que fala da história de amor dEle por mim.

Ah tem os amigos dessa moça… eles são muito parecidos com a descrição que ela me deu sobre Ele. Eles tão sempre lá entregando a sopa. Dia de frio, chuva… nada impede eles. Sempre sorrindo, abraçam a gente e nem ligam se não deu pra tomar banho no dia. Abraçam forte como alguém que realmente enxerga a gente.

É isso, eles nos veem.

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** As Crônicas do Sopão são formadas pela soma de várias histórias que ouvimos todas as sextas, que resultam em personagens fictícios, mas que representam nossos queridos amigos frequentadores do Sopão.

Publicado por: Tati | 8 janeiro, 2015

Plantão Sopão

Galerinha, o início do Sopão 2015 foi adiado para a próxima sexta, dia 16/01, ou seja, amanhã não haverá Sopão. ;)

Publicado por: Tati | 19 dezembro, 2014

E que venha 2015

" E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos." Gálatas 6:9

Não é a toa que está escrito pra não cansar de fazer o bem, porque fazer o bem CANSA!

Em 6 anos de Sopão ouvimos muito as pessoas falarem que admiram o trabalho e que tanto tempo assim não é pra qualquer um. Que é preciso muita persistência e até uma dose de vocação pra coisa, mas sabe do que? Já não é mais a força de vontade e a persistência que nos fazem manter esse projeto em pé, mas uma convicção muito forte de que as nossas atitudes podem mudar a história de alguém, mesmo sem vontade e mesmo sem ter nada a oferecer. Suprir as necessidades é importante, mas não há nada melhor pra suprir o vazio da alma do que calor humano, toque físico, carinho, atenção. Somos todos iguais porque o vazio pode atacar a qualquer momento e a qualquer um de nós e “estar junto” nos torna mais fortes, mais humanos. Essa troca precisa acontecer aonde quer que estivermos. Precisamos de humanidade, amor e respeito. Tratar ao próximo como gostaríamos de ser tratados.

Que 2015 venha com uma dose extra de HUMANIDADE pra todos nós, sem cansar!

LEMBRANDO: HOJE É O ÚLTIMO SOPÃO DO ANO, VOLTAMOS DIA 09/01

#sextatemsopao #sopaocuritiba

Publicado por: Tati | 2 setembro, 2014

Era uma vez…

Era uma vez duas cidades: Lua e Sol. As pessoas dessas cidades brigavam muito uma com as outras e isso deixava Deus chateado, até o dia que Ele decidiu separar essas cidades com um abismo. Mas quando Deus criou o abismo Ele disse para todas aquelas pessoas: "Estou separando vocês porque brigam muito e isso me deixa triste, mas no futuro irei falar com vocês através dos seus filhos".

Nessas duas cidades, havia duas famílias em especial que se odiavammuito, muito mesmo. A família da Lua tinha um filho e a família Sol tinha uma filha linda e eles eram apaixonados. Os encontros eram escondidos porque se os pais deles descobrissem que estavam namorando, acabaria em tragédia! Até que um dia, o pai da moça descobriu e ficou furioso, foi até o abismo e as famílias começaram a brigar. Os jovens falavam que se amavam e não entendiam o porquê de não poderem ficar juntos e nem a razão de tanto ódio.

Maiara: …eles não entendiam o poder que eles tinham!

Lívia: Que poder?

Maiara: O poder do amor!

Lívia: E como eles conseguiram esse poder?

Maiara: Deus deu esse poder para todos eles e para nós também, mas como eles brigavam muito nem percebiam, foi por isso que Deus disse que usaria os filhos. Os filhos usavam o poder do amor e por isso queriam ficar juntos!

Eu uso esse poder todos os dias com minha mãe!

Lívia: Como você usa? Me ensina!

Maiara: Todos os dias eu falo pra ela "eu te amo" e ela diz que me ama também… ela também usa o poder viu!?

O poder do amor contado por uma criança de 8 anos. Aprendeu como é fácil de usar?

‪#‎historiasqueinspiram‬ ‪#‎sextatemsopao‬ ‪#‎sopaocuritiba‬

Publicado por: Tati | 14 agosto, 2014

PROCURA-SE EXEMPLOS

Lá no Sopão, todas as sextas contamos com a presença de alguns adolescentes. Alguns deles conhecemos há mais tempo, quando ainda crianças. Não é novidade para nós e nem pra ninguém que hoje, eles estão envolvidos com o tráfico. Difícil é admitir que nós não aplicamos mais esforços na vida deles enquanto ainda era tempo.

A constatação da matéria do Paraná Online (veja aqui), de que parte considerável dos menores infratores nem sequer tem o nome do pai registrado na certidão de nascimento, não é grande descoberta, mas mostra o quanto crianças e adolescentes precisam de adultos exemplos. Muitos deles até tem a presença do pai e da mãe, mas o que dizer quando esses são péssimas referências? Aliás, não há nem como julgar, é um ciclo que vai passando de geração em geração.

Muitas vezes essa criança/adolescente busca apenas um olhar carinhoso, um olhar de aprovação dos pais, um abraço que transmita segurança, um exemplo a seguir. O que é ser alguém na vida? É ser honesto, trabalhador, ter princípios, ter dinheiro? A nossa luta pela conquista de algo só faz sentido quando almejamos “chegar lá”, e só vamos almejar “chegar lá” se alguém nos ensinar que “chegar lá” vale a pena!

Por isso, acreditamos que atitudes podem transformar vidas. Amor, confiança, elogios, abraços, podem ser as demonstrações de afeto que eles precisam, e tudo isso pode vir de VOCÊ, porque ás vezes, tudo o que aqueles meninos querem ouvir é que eles são capazes de construir uma história nova!

Temos voltado toda a nossa atenção para esses meninos que agora estão jogando bola conosco, conversando, se abrindo… eles querem estar perto, ficam lá até a hora de ir embora e no final, fazem questão de participar da oração de mãos dadas conosco.

Seja uma referência positiva na vida daqueles que estão a sua volta.

Quer fazer parte desse desafio? Vem pro Sopão!

‪#‎sopaocuritiba‬ ‪#‎sextatemsopao‬ ‪#‎historiasqueinspiram‬

Publicado por: Tati | 1 agosto, 2014

DEPOIMENTO

"Ao participar do Sopão percebi que é possível ter dois posicionamentos. Um deles é comparecer e ajudar em todas as tarefas que se fazem necessárias, o que certamente é uma grande contribuição e sem dúvida Deus se agrada dessa atitude. Por outro lado, você pode comparecer, ajudar nas tarefas, e ainda se envolver com as pessoas a ponto de criar um compromisso com elas. Aí sim muda o sentido. Você não vai mais ao Sopão por causa do projeto, você vai por causa das pessoas. Você não vai para apenas "ajudar" o Sopão, mas vai porque o João, o Vitor e a Renata estarão lá e esperando por nós. Vínculos sinceros e responsabilidade com a vida de cada um deles. Isso sim é difícil. Falar de Jesus é fácil, mas o caminhar junto é que torna o seu compromisso real." (Voluntário do Sopão)

Publicado por: Tati | 31 julho, 2014

A culinária da graça e a grande comissão

Há uma história sobre uma tentativa de levar o evangelho aos povos indígenas na Indonésia. Todos os dias os missionários chegavam à aldeia e tentavam reunir o povo para pregar as boas novas. Poucos aldeões quiseram ouvir. A maioria não prestou atenção em tudo.

Isso continuou por meses, até que notaram que toda vez que o chefe da tribo queria falar com a multidão ou anunciar uma notícia, ele se levantava e falava ao redor de uma fogueira, onde estavam cozinhando batatas doces (yams) por horas.

As pessoas se reuniam ao redor do fogo e ficavam comendo, enquanto seu líder falava. Percebendo essa tendência, os missionários pegaram, eles mesmos algumas batatas e foram prepará-las ao redor do fogo. Em seguida, com grande autoridade e cercados por batata doce, Don Gibbson e Gordon Larson se aproximaram do círculo de fogo e começaram a pregar o evangelho. Os moradores ouviram atentamente ao longo da refeição, os corações foram transformados, e não demorou muito para que o chefe pedisse ajuda para destruir todos os seus ídolos sagrados.

A simplicidade do Sustento

Como isso é simples! Não era uma nova exegese do texto, ou um milagre dos céus, ou alguma tática transcultural secreta, mas uma simples batata doce. Você pode comprar uma agora mesmo no supermercado.

Comer é uma de nossas necessidades mais básicas. Todo mundo precisa comer para viver. O alimento tem uma capacidade única de atrair pessoas, porque não podemos evitá-lo. Por esta razão, a comida é a expressão mais simples de hospitalidade. Reunir-se em torno da comida não é um conceito novo. Isso está no centro da nossa rotina desde a primeira igreja na história. Nosso próprio Salvador alimentou as massas, e não apenas com um bom ensino, mas com pão real, físico. E na noite antes de sua morte – o dia mais importante na história – ele nos apresentou a Santa Ceia, e temos celebrado juntos desde então.

Uma comestível e eficaz linguagem de amor

Quando dividimos a comida com alguém, estamos compartilhando a vida com eles. Todo mundo tem que comer. A necessidade da comida coloca todos no mesmo nível. Do operário que trabalha em um terreno de construção, até o empresário que usa um terno de três peças e fecha negócios milionários, passando pelo homem sem-teto que fica na esquina – todos nós precisamos de comida. A comida tem o poder de romper barreiras e construir laços de amor e união.

O que Gibbson e Larson fizeram não foi revolucionário. Foi simples. Eles viram que a batata doce funcionava como um catalisador para uma conversa. E as mesmas formas de interações que transformam vidas poderiam começar ao nos oferecermos para comprar um lanche para um amigo. Um sanduíche ou uma salada pode ser uma chave para abrir o coração de alguém, e com a porta aberta, temos a oportunidade de oferecer-lhes o verdadeiro Pão da vida.

Ache as fogueiras na sua vida, convide seus amigos, vizinhos ou colegas de trabalho para ir com você, e seja ousado para falar o evangelho juntamente com a sua refeição. As refeições partilhadas com essa motivação terão seu lugar no cumprimento da Grande Comissão.

Texto Original: http://www.desiringgod.org/blog/posts/kitchen-grace-and-the-great-commission

Ps: a equipe do Sopão agradece as pessoas que ajudaram indicando e traduzindo este texto. Sem dúvida acreditamos que a comida é uma excelente ferramenta para compartilhar amor, união e é claro para falar Daquele que veio para suprir nossas vidas por completo.

#sextatemsopao #sopaocuritiba

Publicado por: Tati | 16 julho, 2014

Fadas madrinhas não existem

O nome dele é Pedro*. Tem aproximadamente 5 anos. Se o encontrassem em outra circunstância facilmente lhe perguntariam por que não está fazendo comerciais. Lindo! Pra nós, alheios ao fator circunstância, ele é ainda mais lindo. Apenas por ser nosso desde os primeiros dias em que o conhecemos.

Integrante de uma família como tantas do Sopão, com vários irmãos e exposto há vários riscos sociais, nos primeiros dias apenas estava lá. Com muito custo, e insistência da equipe, resolveu brincar, mas falar era artigo de luxo.

Pouco a pouco ganhávamos a confiança dele e pelo menos um “oi, tia! Vamo brincá”, ele dizia.
Numa sexta, ele veio, agarrou minhas pernas e me olhou nos olhos. Havia algo diferente naquele olhar.

Perguntei: “Vamos brincar, cara?”

Ele me olhou novamente e disse: Tia, minha mãe foi embora.

Eu: Será? Talvez ela só tenha viajado e já já volta.

Ele: Não. Ela disse que não vai voltar. Meu pai batia nela e ela não queria mais isso.

Eu: Não fique assim. Logo ela volta. O importante é que a vovó está com vocês e irá cuidar de tudo até a mamãe voltar.

Ele me olhou novamente e me abraçou. Eu não precisava ter todas as respostas. Eu não precisava resolver o problema dele. Eu só precisava de ouvidos atentos, porque ele só queria ser ouvido e ouvir que vai ficar tudo bem.

Abri um sorriso e disse: E agora… vamos brincar?

Ele, sorrindo: Vamos!

Algumas vezes travamos e não participamos de atividades como esta por nos sentirmos impotentes ou por acreditarmos que se não conseguimos resolver todos os problemas destas pessoas não devemos nos envolver. Engana-se quem pensa assim, pois na maioria das vezes eles não precisam de fadas madrinhas ou super heróis, só precisam de atenção.

Queremos ser Seus braços, Seu sorriso, Seus olhos.

#EvangelhoSimples #Saiadabolha #sextatemsopão #sopãocuritiba #historiasqueinpiram

*Nome fictício.

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