Publicado por: Tati | 14 junho, 2016

SOBRE DOAÇÕES DE AGASALHOS NESSE INVERNO

O Projeto Sopão não distribui roupas, agasalhos e cobertores, por isso não recebe doações, mas incentiva fortemente que você reúna as doações de amigos e vizinhos e venha compartilhar o espaço conosco para distribuir.

Todas as sextas, entregamos refeições para cerca de 150 pessoas, a partir das 20h, na esquina das ruas Engenheiro Rebouças e Conselheiro Laurindo (Curitiba-PR). É só aparecer!

Enquanto entregamos as refeições você vai poder entregar suas doações e ainda sentir aquele calor humano que só um abraço proporciona😉

Publicado por: Tati | 3 dezembro, 2015

[SOPÃO POR AÍ] Guarapuava – PR

Quer fazer parte de um projeto como o Sopão? Em Guarapuava – PR também tem sopão que aliás, também se chama Projeto Sopão e acontece às sextas-feiras. Um projeto sério, que a gente conhece e apoia!

O projeto busca voluntários para fazer parte do time da cozinha e também da equipe de distribuição para servir, conversar e fazer atividades com a criançada. Quer ajudar? Escreva para a Marcela: marcelaczap@gmail.com

SOPÃO EM GUARAPUAVA | FAÇA PARTE!
Todas as sextas a partir das 18h30, em frente à escola Total (Escola Iná Ribas Carli) do Xarquinho (Boa Vista) – Rua Vereador Frontino Lima, nº 200.

E se você tem parentes e conhecidos em Guarapuava, compartilhe e ajude a divulgar.

‪#‎sopaoporai‬ ‪#‎dicaboa‬ ‪#‎sopaoguarapuava‬

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Publicado por: Tati | 20 novembro, 2015

Continue sonhando!

Todos os anos minha universidade organiza uma "feira de profissões", para que estudantes pré-universitários tenham a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre os cursos de graduação e as diferentes carreiras profissionais.

Na última edição deste evento, trabalhei numa das "estações" do curso de Medicina, auxiliando no treinamento dos estudantes para o atendimento inicial de uma parada cardiorrespiratória (PCR).

Eis que, em meio aqueles milhares de estudantes, de repente uma menina(moça!!!) do 1° ano do ensino médio, caminha sorrindo em minha direção, e com os olhos brilhando me pergunta:

– O que você está fazendo aqui??? Vo-você é Mm-médica??? (gagueja)

Eu, vislumbrando algo de familiar naquele olhar, respondo também gaguejando…

– É… qua-quase..! Ainda falta um pouquinho… Mas serei daqui alguns meses, se Deus quiser…

– Uaaaauuuu!!!! Médica…. Você lembra de mim?????? Você não lembra, né? Eu era tão pequenininha.

Enrugo a testa, levanto as sobrancelhas, suo frio: Eu não lembrava!

– Eu sou a Marina*!!! Do lanchinho, da sopa…(assim que eles chamam o Sopão)! Lembra??? Você brincava comigo de rolar na grama!!!

– Caracóis Africanos, Marina!!! Que alegria ver você aqui…Você está tão linda!! Como cresceu, gente!!!

Ela pula em meu pescoço. Nos entrelaçamos num abraço amoroso, como "nos velhos tempos"…

– Eu lembro que você sempre falava pra eu estudar! Eu vou fazer vestibular, sabia? Um dia eu vou fazer vestibular também!

Vai, meu bem…. Você voará como uma águia (pensei).

– Tenho muito orgulho de te ver aqui (disse)… Continue sonhando… Está vendo todas estas estações? Estes cursos? Você pode escolher qualquer um…. E tenho certeza de que serás excelente naquilo que escolher!

Olhinhos brilhando. Mais um abraço. Mais um dia que valeu à pena ser vivido. Mais uma vez a Graça de Deus se revelando, sua justiça alcançando vidas.

Aposto que, para Ele, continuamos sendo pequenininhas, aquelas com as quais Ele deseja rolar na grama e brincar de pega-pega.

Jaque | Equipe Sopão

*os nomes foram trocados e os rostos da foto desfocados para preservar a identidade das crianças.

‪#‎sopaocuritiba‬ ‪#‎historiasqueinspiram‬ ‪#‎sextatemsopao‬‪#‎evangelhosimples‬

Publicado por: Tati | 8 outubro, 2015

Sexta das crianças 2015

Aí você se pergunta: "O que o Sopão faz para o dia das crianças?". A gente brinca e volta a ser criança, ué! Vamos nessa?

Amanhã programação especial de dia das crianças e a gente precisa de muitos adultos dispostos a rolar na grama pra que essas crianças tenham um dia incrível🙂

A partir das 20h vai ter gincana pra criançada no Sopão. Não precisa trazer nada, só energia e alegria!

Publicado por: Tati | 7 outubro, 2015

QUERO AJUDAR

O Sopão é um projeto simples, que entrega alimento no porta-malas do carro e tem como objetivo principal o desenvolvimento de relacionamentos verdadeiros. É isso que nós fazemos, entre uma refeição e outra a gente conversa, ouve, ri, aconselha, ora, chora, brinca, abraça e por aí vai. Trabalhamos promovendo informação, cultura, qualidade de vida emocional e espiritual.

Existem 3 formas de ajudar:

1. EQUIPE DE DISTRIBUIÇÃO E ATIVIDADES NA SEXTA
Para fazer parte da equipe durante a entrega nas sextas-feira, venha nos fazer uma visita. É só chegar! O projeto acontece a partir das 20h, todas as sextas na esquina das ruas Conselheiro Laurindo e Engenheiro Rebouças (Curitiba-PR), a céu aberto mesmo. Nem a chuva nos detém!

Será um prazer recebê-lo. A única instrução prévia é a de não levar doações (roupas, brinquedos, mantimentos, etc). O Sopão busca pessoas dispostas a doar seu tempo e seu coração.

Ah! Durante a distribuição, a equipe faz atividades com crianças e futebol com adolescentes, portanto, seu filho também será muito bem-vindo.😉

2. ESCALA DA COZINHA
A preparação da comida é realizada através de escala na própria casa do voluntário. Não temos cozinha própria. No dia anterior à preparação, o Sopão se encarrega de comprar os ingredientes e levar as panelas e utensílios necessários até sua casa. No dia seguinte passa buscar, a não ser que o voluntário queira levar a comida até o Sopão e participar da distribuição conosco. Ou seja, o voluntário entra com a mão-de-obra, água e gás.

Apesar do projeto se chamar Sopão, o cardápio varia muito. Servimos sopa, risotos, macarrão, polenta e etc. Com antecedência definimos juntos o cardápio, mas a preferência nos ingredientes normalmente fica a critério do cozinheiro, assim como envolver mais pessoas para ajudar no preparo.

Servimos cerca de 200 copos de risoto, ou seja, são 2 panelas industriais e a comida precisa ficar pronta até as 19h30, horário que passamos buscar na sexta. Normalmente em fogão comum, a comida leva horas pra ficar pronta e isso pode tomar a tarde do voluntário.

A escala de 2015 já está fechada e estamos abrindo vagas para voluntários em 2016.😉

3. CONTRIBUIÇÃO FINANCEIRA
Nós damos preferência para as contribuições financeiras devido ao fato de não possuirmos local para estocagem de ingredientes. O projeto é muito simples e depende da ajuda de voluntários, inclusive no armazenamento dos materiais utilizados como embalagens, copos e talheres descartáveis, temperos, brinquedos, bolas, barracas, panelas e etc. Por isso hoje temos uma conta no Banco do Brasil separada somente para esse propósito. Caso queira contribuir dessa forma, nos mande um e-mail (projetosopao@gmail.com) ou inbox😉

♥ TRABALHAMOS SIM com algumas PROGRAMAÇÕES ESPECIAIS em que precisamos de voluntários e doações pontuais, nos acompanhe através do facebook ou blog pois as divulgações sempre acontecem por aqui.

Publicado por: Tati | 9 setembro, 2015

O SOPÃO É SÓ ISSO?

Esta é a minha história de 5 anos com o Projeto Sopão, este projeto tão abençoado que ministra sobre a minha vida de uma forma sobrenatural. Neste lugar tenho tido experiências e aprendido a ir além daquilo que tenho a capacidade de compreender.

Após algumas sextas que frequentei este projeto, algo dentro de mim se frustrava. Minhas expectativas no início era ajudar aquelas pessoas suprindo-as com bens materiais e, no decorrer das semanas, frustrada pensei: “MAS É SÓ ISSO? A gente serve a sopa, ora (de vez em quando) e estas pessoas vão embora… O que vai mudar na vida delas? Como que eu, vendo suas necessidades de roupas, comida, remédios, posso deixar de ajudar, sendo que eu poderia supri-las algumas vezes?”

Muitas vezes me desfazendo de coisas em casa eu pensava: ”Vou levar para o Sopão! Mas a Tati disse que ali daremos somente o alimento, conversamos e oramos, quando as pessoas permitem.”

Mesmo achando que poderíamos fazer algo a mais, insisti em continuar frequentando. Depois de alguns meses tive a oportunidade de ajudar um pouco “mais” uma família. Fui com meu esposo e minha filha na casa deles, oramos e conversamos… e nestas vezes que estivemos com eles, fora do local do projeto, comecei a perceber que a expectativa desta família em relação à nossa ajuda era muito maior do que aquilo que podíamos oferecer, e mesmo se pudéssemos supri-los em tempo e financeiramente, isso não mudaria a condição deles em relação a Deus.

Meu marido também outra vez tentou ajudar um morador de rua arrumando uma clínica para se recuperar das drogas, dispondo de tempo e dinheiro, porém esse morador não correspondeu à nossa ajuda e nos frustramos mais uma vez.

Contando também com outras experiências, comecei a perceber que aquelas pessoas estavam acostumadas a receber coisas materiais “aquelas que a ferrugem pode destruir” e que o único interesse delas em se dirigir a pessoas que se propõem a ajudar de alguma forma é apenas ganhar algo. Depois disso nada mudaria no coração delas com relação a Deus, e isso não as levariam a salvação.

Deus começou a me fazer entender que aquele povo precisa de pessoas que os ajudem a Buscá-lo, somente pelo que ELE É e não pelo que Ele pode dar.

Com o TEMPO comecei a criar vínculos de amizade com pessoas que passavam por ali toda sexta, e com MAIS TEMPO ainda algumas simplesmente saíam de suas casas somente para conversar conosco, ouvir conselhos, receber oração e fui vendo o agir de Deus na vida delas. A partir daí surgiram algumas oportunidades de ajudar de outra forma, viver novas experiências e histórias que Deus tem usado para me fazer entender: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera. ” Efésio: 3:20

Muitos que passaram por ali conversei e nunca mais vi, outros esporadicamente, mas uma pessoa que vi 2 vezes se despedindo disse: – Eu nunca vou esquecer do que você me disse!

O futuro e a obra pertencem a Ele, a semente tem sido lançada. Não creio que todos os projetos tenham que ter essa direção, mas ali no Sopão tenho entendido que a disposição de tempo, compromisso e muita paciência, tocam profundamente aqueles que Deus tem enviado a nós através desse projeto.

Voluntário | Equipe Sopão

‪#‎sextatemsopao‬ ‪#‎sopaocuritiba‬

Publicado por: Tati | 13 maio, 2015

Você tem medo do que?

Muitas vezes achamos que nossa vida é difícil e realmente pode ser, cada um tem seus problemas e seus níveis de luta. No entanto algumas vezes quando olhamos para os outros e não apenas para nós mesmos, notamos que nossa vida pode não ser tão complicada como achamos que é.

No último sopão tive a oportunidade de conversar com uma menina de 6 anos de idade, ela estava pintando um livrinho no chão e eu estava apontando alguns lápis. Começamos conversando sobre a escola, amiguinhos e então sobre família. Essa menina, de apenas 6 anos, contou coisas que nenhuma criança deveria ter que passar e o pior é que ela me contou com a maior naturalidade de todas…infelizmente essa é a realidade de muitas crianças.

Parte das famílias da Vila Torres são formadas por inúmeras pessoas e geralmente em casas que não comportam tanta gente assim. Acreditem, nossa ideia de casa em que cada filho tem um quarto ou talvez 2 filhos em um quarto, não se aplicam na realidade de muitas famílias lá. Infelizmente também existem mães muito novas, e isso é um pouco complicado. Essa menina convive numa realidade dessas.

No tempo que pude conversar com ela, ouvi histórias assim:
“Tenho uma irmã mais velha que deixa de lado a filhinha pra ficar no celular e isso me incomoda muito, pois ela fica sempre chorando. Ela tem um namorado que é muito ruim, ela gosta muito dele, mas ele não gosta muito dela e por isso brigam muito. Brigas feias. Uma vez tive que sair correndo para pedir ajuda, pois minha irmã estava apanhando muito. O namorado da minha irmã já se encrencou bastante. Já tentaram matar ele na frente da casa da minha vó. Eu também tenho um irmão que estava preso, mas ele continua encrencado e por causa disso ele está morando com um cara que ele não gosta, mas é o único lugar onde ele pode ficar seguro. Meus avós já tiveram que abrigar 5 pessoas em apenas 2 quartos pequenos. Já vi e ouvi vários tiros lá na vila. Conheço também pessoas que já foram baleadas e amiguinhas que foram atingidas nas trocas de tiros.”

Tiroteio lá na Vila Torres, infelizmente ocorre muito mais do que imaginamos. Tudo isso com apenas 6 anos de idade. Perguntei se ela tinha medo disso tudo e ela me disse que sentia sim e até chorava. Então falei que toda vez que ela tivesse medo, era para ela pedir a Deus que Ele vai sempre protegê-la. Depois disso ela parou, me olhou e falou: – Eu estou aprendendo a andar de bicicleta sem rodinha! – hehehe e começamos a falar sobre bicicleta.

A grande maioria de nós não tem ideia de como é viver diariamente em um ambiente assim, quanto mais como é crescer em um ambiente desses. Nós não podemos fazer muita coisa por eles, mas podemos estar lá toda sexta para brincar, conversar, abraçar (Jaque é especialista nisso, hehe) e é impressionante como elas demonstram como gostam da gente! Sempre chegam com um abraço apertado e um sorriso no rosto!

Outra coisa que podemos fazer é orar por elas! O que Deus pode fazer na vida de uma pessoa e de uma família é impressionante e a principal mudança ocorre no seu interior. Por mais que a sua volta esteja caótica, quando se tem Jesus no coração, isso faz toda a diferença. É mais ou menos como mostra no segundo filme do Kung Fu Panda, é ter a “paz interior”. O vilão matou a família e todos da vila dele e mesmo assim ele conseguiu ter a paz interior. A única forma de conseguir isso é através de Jesus em nossa vida: “E a paz que excede todo entendimento guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” Fp 4:7. Outra coisa que nos conforta é que temos a certeza de que Deus em momento algum vai nos desamparar: “Nunca te deixarei, nunca jamais te abandonarei” Hb 13:5.

Enfim, então fica uma dica: quando você começar a achar que sua vida está muito difícil, complicada, que nada tem jeito, se doe! Faça algo por alguém! Você com certeza vai ver que: “…Mais bem aventurada coisa é dar do que receber” At 20:35.

Voluntário | Equipe Sopão

‪#‎sextatemsopao‬ ‪#‎sopaocuritiba‬ ‪#‎historiasqueinspiram‬

Publicado por: Tati | 23 abril, 2015

“Conversem com eles”

Fazemos parte do Projeto Sopão já faz uns três anos. No começo apareciamos esporadicamente, mas nos últimos dois anos (mais ou menos) passamos a participar efetivamente. Logo nas primeiras sextas pudemos conversar com vários carrinheiros, conhecendo o dia-a-dia deles, suas lutas, que, diga-se de passagem, muitas vezes são um “tapa” na nossa cara. Como temos a capacidade de reclamar tanto?

Uma das coisas que temos aprendido a praticar lá no sopão é o “sair da zona de conforto”. Se você não for atrás para conversar, criar laços com os que vão lá, isso pode acabar sendo uma atividade social da igreja. Claro que tem seu valor, afinal, você está ajudando o próximo de alguma forma, mas você acaba perdendo a oportunidade de fazer uma real diferença na vida de alguém. Não digo que em toda conversa você vai conseguir ter um vínculo e poder aconselhar ou algo do tipo, mas a partir do momento que você cria um laço, você tem a oportunidade de se aproximar e demonstrar que se interessa por eles. Lembro inclusive da orientação que recebemos em nosso primeiro dia: “Conversem com eles, e sempre que puderem, perguntem se eles têm algum pedido de oração e orem por eles”.

Eu e minha esposa trabalhamos especificamente com as crianças, basicamente brincando com elas. E isso também exige uma ação nossa. Dificilmente elas virão até nós (pelo menos no começo) para pedir para brincar. Nós temos que ir até elas. Jesus ia até as pessoas. É "dar a cara para bater". E conforme vamos conversando com elas, vamos tendo oportunidades de mostrar Jesus.

Uma vez estava conversando com uma criança sobre tudo: férias, escola, amiguinhos, irmãos…e aí chegou no assunto de “medos”. O engraçado é que no começo ela disse que não tinha medo de nada, mas quando falei que eu mesmo tinha medo de muita coisa, ela acabou admitindo que também tinha e ao final concluiu: “Então quando temos medo é só falar com Jesus, né?!” e assim foi…

Nessa mesma conversa perguntei o que ela havia comido naquele dia e ela demorou pra falar. Ao final disse que comeu algo de manhã, aí no almoço a mãe dela não tinha feito nada e então estava comendo lá (ela tem uns 5 anos) e o mais interessante é que toda vez que ela vai lá ela pede para levar comida para a casa.

Enfim, poder participar do Sopão é uma grande honra, pois assim podemos efetivamente ser os braços e pernas de Deus para com aqueles que necessitam. Ver a alegria e o abraço das crianças cada vez que vamos lá, é realmente um privilégio.

Voluntário | Equipe Sopão

‪#‎sextatemsopao‬ ‪#‎sopaocuritiba‬

Publicado por: Tati | 4 fevereiro, 2015

Depoimento II

Era uma vez uma criança de riso frouxo e cabelos cor de ouro que adorava brincar, pular e correr. Eu a conheci logo em uma das primeiras vezes que estive no Projeto Sopão, e posso garantir que ela era (e continua sendo) encantadora.

Depois de algumas semanas rolando na grama, dando gargalhada, pulando corda e ouvindo histórias (sim, ela é quem conta histórias incríveis e cheia de detalhes mirabolantes… ainda bem, porque não levo o menor jeito para isso!!) , surge o diálogo:

Criança: Jaquis (ela me chama assim, no plural mesmo!), tenho uma pergunta “Intrigante” (sim, esse é o seu vocabulário, e na época ela tinha apenas 5 anos!)

Eu, desconfiada e com as sobrancelhas levantadas: Diga…

Criança: Você sabe brincar de pega-pega, pula corda, ouve histórias, faz cócegas, corre e tudo mais… Mas olha o seu tamanho!! (usou uma das mãos para comparar o meu tamanho com o dela, esticando o braço em direção ao céu, tentando alcançar minha cabeça…. e depois usou as duas para comparar o tamanho das pernas…)

Eu, esboçando um sorriso: Hum… E qual é a sua pergunta?

Criança: Afinal de contas, você é criança, adolescente ou é mãe? (indagou confusa, cruzando os braços… como quem pede uma explicação lógica dos fatos)

Eu, sem titubear: Sou criança, oras bolas. Que pergunta!

Criança: Mas… você não usa uniforme! E olha o teu tamanho….

Eu: Mas eu também vou pra escola (faculdade), só que lá eu não preciso de uniforme.

Criança: Hum… (considera duvidosamente) Mas… você conversa com os adultos!!! (suspiro e pausa …) Você tem filhos?

Eu: Não.

Criança: É, então você não é mãe. Mas olha o teu tamanho (outra vez mede minhas pernas..).

Eu: Bom, talvez eu já seja quase adolescente então. Mas o que importa é o que a gente é por dentro, e não por fora.

Criança: Ah, pode ser … (seu rosto se iluminou e ela sorriu satisfeita) Mas então vamos brincar? Tá com você!! (tocou o meu braço e saiu correndo…)

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Às vezes me perguntam por que vou ao Sopão. Mas eu mesma me pergunto: por que não ir? Talvez eu possa explicar como tudo começou (fica para a próxima), o que me motivou a ir até lá e conhecer o projeto. Mas hoje, depois de quase cinco anos, posso dizer que vou simplesmente porque amo aquelas pessoas. Elas são parte da minha vida, e espero também ser parte da vida delas. Talvez elas não conheçam o meu dia a dia de perto, mas através delas Deus tem me aperfeiçoado. Relacionando-me com elas descubro a cada dia um pouco mais sobre minha identidade, sobre o universo em que essas crianças vivem, e sobre o dom de amar. Eu vou ao Sopão porque quero estar lá. Sendo quem eu sou ao lado daquelas pessoas. Sendo eu mesma, e também um pouquinho criança, adolescente ou mãe.

#sextatemsopao #sopaocuritiba #historiasqueinspiram
Publicado por: Tati | 19 janeiro, 2015

Crônicas Sopão I

Eu? Eu durmo de dia sim. Você também dormiria se fosse eu.

Dormir de noite é luxo pra quem pode.

Ouvi dizer que tem gente que assusta crianças dizendo que durante a noite aparecem monstros. Talvez a pessoa que contou essa história tenha andado pelas ruas como nós. Enfrentamos vários deles.

Tem amigo que se arrisca a dormir, mas garante que faz isso na base do revezamento. Um olho aberto, outro fechado. Ou enquanto um dorme, o outro vigia.

Já eu, prefiro dormir de dia. Mas não perco muito tempo com isso não. É só o tempo de recarregar a “bateria”. Logo levanto e começo a trabalhar.

As pessoas até passam por mim, mas ninguém se incomoda não. Acho que a maioria nem me vê. É como se de dia fossemos invisíveis e a noite… visíveis só para os monstros.

Não, não é fantasia. To falando sério! É gente que não tem o que fazer e sai por aí procurando alguém pra incomodar. Alguns dizem que nós é que incomodamos e por isso eles agem. Estão “limpando” a cidade. Mas eu não saio por aí colocando fogo em quem me incomoda. E como assim limpando? Não somos lixo não.

Tem o problema do tempo também. Quando faz frio, não tem como dormir a noite. Ficar parado é o mesmo que pedir pra morrer. Já vi amigo morrer por causa disso. De dia, é mais quente.

Tem outros que dizem que nós deveríamos arranjar o que fazer… mal sabem eles que muitas vezes a gente faz mais do que eles. Eu trabalho de verdade. Guardo carro, limpo terreno, cato latinha. O que me der pra fazer, eu faço. Não dá pra ficar rico, mas da pra viver honestamente. Não consigo muita coisa além disso porque não estudei. Eu deveria ter feito isso, eu sei, mas deixei passar a oportunidade. Não sabia o valor que tinha.

Vou te dizer uma coisa… ainda vou ter uma casa e uma família só minha. Falo isso e o pessoal ri de mim. Diz que é sonho e que sonho é só pra rico. Mas algo me diz que não é não.

Aprendi, não tem muito tempo, que tem Alguém que se importa comigo e que quer que eu sonhe. Me contaram, que Ele me amou e ama há bastante tempo. Disseram que Ele se importa. E vou te dizer, só de saber que alguém me vê e se importa já me deixa feliz.

Falo pros amigos e eles dizem que é mentira. Que se alguém se importasse, não estaríamos na rua. Mas como eu vou culpar Ele se quem escolheu sair de casa fui eu. Nem me importava com Ele até dia desses e agora vou jogar a culpa nele? Não… eu não.

O primeiro sonho é aprender a ler. Quero descobrir o que diz no livro que ganhei. A moça me disse que fala da história de amor dEle por mim.

Ah tem os amigos dessa moça… eles são muito parecidos com a descrição que ela me deu sobre Ele. Eles tão sempre lá entregando a sopa. Dia de frio, chuva… nada impede eles. Sempre sorrindo, abraçam a gente e nem ligam se não deu pra tomar banho no dia. Abraçam forte como alguém que realmente enxerga a gente.

É isso, eles nos veem.

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** As Crônicas do Sopão são formadas pela soma de várias histórias que ouvimos todas as sextas, que resultam em personagens fictícios, mas que representam nossos queridos amigos frequentadores do Sopão.

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